terça-feira, 5 de junho de 2007

Inventário


Das minhas dores mais longas,
desbagoarei os gomos,
pra atender à fome dos cães.

Meu olhar sem escamas,
e a senha de teu corpo,
pode levar ou esquecer:
não me cabe guardar inocências.

As fraquezas, inclusive
meu choro de homem
e aquela noite, era outubro,
serão minhas, no inventário.
As demais miúdezas: lençóis,
projetos inacabados, risos,
guardemos, nos inutéis da memória.

Do que sou, ao fim,
serei sempre, exílio.



Modigliani - Homem com copo de vinho

Um comentário:

Meraluz disse...

yes! salut, poeta!
sempre à espera do Monet... ;)